A EXPLORAÇÃO DO PALEOZÓICO BRASILEIRO - PASSADO
As bacias paleozóicas brasileiras apresentam todas as condições favoráveis à presença de acumulações. Nelas estão presentes folhelhos, extensos arenitos, capeadores, estruturação, indícios de HC etc. Falta uma abordagem adequada calcada em idéias alternativas. Repetir o que foi feito dificilmente dará certo.
Mas não seria apenas no aspecto puramente financeiro o significado de descoberta de petróleo nestes sedimentos. Além de outras pode-se ressaltar duas vantagens para o país caso a sua exploração fosse incrementada:
1) As possibilidade petrolíferas do paleozóico estão presentes em quase todos estados brasileiros. Do Rio Grande do Sul ao Matogrosso do Sul e São Paulo na bacia do Paraná. Do Piauí ao Acre na região Norte, passando pelos estados do Maranhão, Tocantins, Pará, Amazonas, Acre e Mato onde existe a necessidade de criação de polos econômicos podem ajudar na diminuição das diferenças regionais.
2) As bacias paleozóicas estão todas situadas em terra. Isto lhe dá algumas vantagens como a diminuição dos custos, a maior proteção ao ambiente do que as acumulações no mar, principalmente as de águas profundas (os ambientalistas deveriam levar isto em consideração).
É dito que a criatividade nasce da observação do problema e nos enganos ou espaços não explorados para que se entenda a razão do insucesso. Nas bacias paleozóicas brasileiras é preciso analisar o histórico da sua exploração e o que se pode observar é a utilização de falsos conceitos na condução da exploração. Darwin já dizia que “ignorância traz mais certezas que o conhecimento”. Tais falsos conceitos criaram certezas de que o Paleozóico brasileiro não tinha possibilidade petrolífera. Preconceitos que necessitam ser revistos com o melhor entendimento das nossas bacias paleozóicas, enormes em tamanho, pobres em esforços exploratórios.
O primeiro poço para petróleo no Brasil foi perfurado na bacia paleozóica do Paraná, na localidade de Bofete, no estado de São Paulo, em 1892, resultando na produção de uma pequena quantidade de óleo, nada que o classificasse como uma descoberta comercial. Mais de 100 anos e o Paleozóico brasileiro, que abrange um território superior a 3 milhões de km2, continua sem as grandes descobertas.
Internacionalmente, Paleozóico mostra-se altamente prolífico nas bacias em que a sua parte inferior está presente. Norte da África, bacias russas como a do Volga-Ural, bacias caspianas, bacias sub-andinas, no Texas o complexo de Panhandle, novas descobertas relacionadas ao Siluriano estão acontecendo na Arábia Saudita, são províncias produtoras nas quais o Siluriano e o Devoniano são responsáveis pelas acumulações. Todos estes exemplos com grandes reservas, armazenadas em campos supergigantes em que bilhões de barris estão armazenados.
As razões para tal produtividade estão na presença de uma sedimentação, durante o paleozóico inferior, em ambiente redutor (o teor de oxigênio na atmosfera era de cerca de 10% do atual), com vida abundante. Por outro lado desenvolviam-se extensos pacotes arenosos, com cobertura de rochas selantes, e as movimentações tectônicas permitiram a presença de estruturas de grande porte.
O importante é que os sedimentos do Paleozóico Inferior estão presentes em todas as bacias paleozóicas brasileiras com as mesmas características das bacias internacionais produtoras. Folhelhos negros, arenitos espessos e extensivos, movimentação tectônica, indícios de HC etc. seriam suficientes para que aqui houvesse a presença de bons campos de petróleo nestas bacias e, para justificar tal ausência só existiria uma resposta: a procura do petróleo não teria sido a mais adequada. E para julgar se a abordagem executada foi ou não a que devia ser utilizada é necessário recorrer a história da exploração para petróleo no Brasil, especialmente para o Paleozóico.
A EXPLORAÇÃO DO PALEOZÓICO BRASILEIRO
A exploração para o Paleozóico no Brasil, desde o seu início, foi marcada pelo uso de falsos conceitos que, por sua vez associados a outros, levaram a uma abordagem inadequada, dando origem a uma série de insucessos que desacreditaram o potencial de um território maior do que toda uma Europa Ocidental.
O primeiro falso paradigma aconteceu logo no início do século passado. Charles White, um brilhante geólogo americano, com a perfuração de um poço negou a possibilidade petrolífera da bacia do Paraná devido á atividade vulcânica. Tal diagnóstico poderia ser estendido às demais bacias paleozóicas, todas com intensa atividade vulcânica. Muito embora o pessimismo do Mr. White não tenha vigorado por muito tempo a presença da atividade ígnea nas bacias paleozóicas teve, ou tem ainda, grande influência na exploração paleozóica.
O entendimento da importância do vulcanismo na prospectividades das bacias intracratônicas é assunto que merece um debate mais aprofundado.
O uso de sondas ainda a percussão e o pouco capital a ser investido levou à concentração da exploração por poços rasos. A presença de água doce em alguns destes poços levou ao que seria, talvez, o maior falso paradigma com enormes implicações exploratórias: que a presença de água doce significava a impossibilidade de acumulação petrolífera. A alternativa era caminhar para o profundo.
A sequência paleozóica das bacias intracratônicas é marcada por períodos de aprofundamento e preenchimento com a presença de algumas discordâncias. Nas partes mais altas ocorriam erosões que modificavam a salinidade das águas dos reservatórios. Água doce se relacionava a altos estruturais. Abandonar o raso era procurar petróleo nos baixos estruturais.
Poços profundos exigiam sondas mais pesadas que só podiam perfurar nos vales dos rios (baixos estruturais) ou em estradas construídas ao longo de vales. Assim abandonavam-se as partes rasas e concentrava-se a pesquisa nos depocentros das bacias e com isto instalava-se toda uma abordagem exploratória cujos resultados não deveriam ser os melhores possíveis.
O profundo significava também a presença maior de vulcânicas. Com isto os métodos geofísicos da época não respondiam. Os poços não investigavam as sequências mais antigas onde se concentravam geradores e arenitos extensivos.
Criada a Petrobrás, sob a administração de Link, deu-se ênfase à exploração do Paleozóico, mas os resultados eram negativos. Avaliações eram feitas negando potencial para estas bacias. Logo em seguida acontece o sucesso na plataforma marítima. O Paleozóico deixava de ser de interesse maior.
O insucesso alimentava justificativas as mais absurdas como a de as bacias paleozóicas serem pratos rasos sem estruturas, ao mesmo tempo colunas estratigráficas colocavam diversas e proeminentes discordâncias entre os sedimentos.
As falsas concepções preenchiam as desculpas para os insucessos: as reservas paleozóicas internacionais não eram importantes; os reservatórios eram fechados etc. Teorias esdrúxulas, sem suporte nos dados, eram, e continuam sendo, jogados como verdades indiscutíveis. Falhas lístricas (mesmo com a ausência de deslizamento gravitacional). Presença de uma tectônica rift como formadora das bacias intracratônicas, contrariando a teoria, ainda aceita, das correntes de convecção e a evidência de contemporaneidade entre intracratônicas e rifteamento nas bacias mais jovens.
Enxame de falhas strike slip sem a presença nos afloramentos das bacias. Consideração como flower structures falhamentos que poderiam ser resultantes da tectônica típica das bacias intracratônicas (importante feição na exploração destas bacias que será posteriormente discutida).
As linhas sísmicas eram processadas utilizando as escalas usadas para as bacias rift e costeiras, inadequadas para as altas velocidades encontradas nos estratos paleozóicos, isto provocava que fosse comum considerar que o Paleozóico inferior fosse o embasamento cristalino. A mudança na escala veio a mostrar que ele estava presente e até mostrou uma bacia antes ignorada no país – Madre de Dios.
Enxame de falhas strike slip sem a presença nos afloramentos das bacias. Consideração como flower structures falhamentos que poderiam ser resultantes da tectônica típica das bacias intracratônicas (importante feição na exploração destas bacias que será posteriormente discutida).
As linhas sísmicas eram processadas utilizando as escalas usadas para as bacias rift e costeiras, inadequadas para as altas velocidades encontradas nos estratos paleozóicos, isto provocava que fosse comum considerar que o Paleozóico inferior fosse o embasamento cristalino. A mudança na escala veio a mostrar que ele estava presente e até mostrou uma bacia antes ignorada no país – Madre de Dios.
As análises geoquímicas talvez tenha sido golpe decisivo pelo descrédito do potencial do paleozóico brasileiro. Pelas análises as partes rasas, principalmente onde a atividade vulcânica estivesse ausente ou pouco expressiva, eram consideradas imaturas, assim a exploração deveria procurar as partes profundas onde haveria maturação. Diversos eram os falsos conceitos para as análises do paleozóico entre eles a utilização de refletância de vitrinita quando, no paleozóico inferior não havia a presença de material lenhítico, a não ser raras ocorrências. Outros enganos eram cometidos resultando em surpresas não previstas pelas análises como a presença de gás e óleo na bacia do Solimões, ou de gás na bacia do Parnaíba.

Na realidade, a maior prova de geração é a presença de HC. Os poços com indícios, folhelhos betuminosos e seeps encontrados são provas mais do que suficientes da geração de petróleo e isto não pode ser ignorado por uma interpretação geoquímica sujeita a erros.
O acumulo de insucessos e a descoberta de petróleo no mar levou ao quase abandono da pesquisa nas bacias paleozóicas. Logo houve a tentativa de fechar os distritos que cuidavam da sua exploração. A bacia do Paraná era abandonada. As do norte continuaram, porém, com esforços sensivelmente diminuídos.
O passado na exploração do paleozóico brasileiro seria suficiente para explicar o fraco desempenho nas descobertas. O presente não trouxe grandes modificações. As idéias herdades do passado continuam a ser vigentes na exploração atual. Os blocos oferecidos nas bacias paleozóicas pela ANP se restringem a procurar geração nas partes profundas das bacias. Continuamos sob a égide de um monopólio, não mais o da empresa Petrobrás, mas dos mesmos preconceitos que dominaram a exploração brasileira.
Introduzindo novas idéias, revendo os falsos conceitos utilizados, podemos analisar a geologia de cada bacia paleozóica estimando o que cada uma poderia contribuir para o país.
1) BACIA DO ACRE (500 mil km2) – a bacia do Acre é a continuação em território brasileiro da Bacia de Ucayalli, do Peru, onde a importância do Paleozóico está cada vez mais evidente com várias descobertas a ele relacionadas. Situada “up-dip” desta importante bacia, nela são observadas diversas situações em que reservas de grande porte poderiam acontecer.
2) MADRE DE DIOS – Esta bacia era até pouco desconhecida no território brasileiro. Uma revisão dos dados sísmicos comprovou a presença de sedimentos paleozóicos que, no Peru e na Bolívia, já se mostraram produtores de petróleo nas proximidades da fronteira brasileira. Como nenhum poço foi nela perfurado, fica impossível saber se a coluna presente no Brasil apresenta sedimentos favoráveis. Um ou dois poços estratigráficos são, então, necessários. Comprovada a sua existência o potencial petrolífero poderá ser mais bem avaliado.
3) SOLIMÕES (600 mil km2)– A pesquisa em paleoaltos paleozóicos muito provavelmente significará a descobertas de petróleo líquido. SUB-BACIA DE JATURNAÍBA – Nesta imensa área, continuação da bacia do Solimões, já foram perfurados poços com gás. O retorno à bacia poderia significar uma importância similar, ou até maior, à da Bacia do Solimões. Mudança na abordagem exploratória poderia resultar na descoberta de reservas consideráveis de óleo.
4) AMAZONAS (500 mil km2) - Talvez a bacia paleozóica brasileira com melhores características para a presença de petróleo. Torna-se necessária, entretanto, uma abordagem específica para as suas características exploratórias.
5) PARNAÍBA (600 mil km2) – Com uma área superior a de qualquer país da Europa Ocidental, na Bacia do Parnaíba foram perfurados apenas 34 poços, muitos deles estratigráficos ou perfurados sem controle geológico adequado. Apesar de exibir diversos indícios de óleo e gás, inclusive em testes de formação, a interpretação geoquímica a considera sem qualidades para a geração de petróleo. As ocorrências petrolíferas são atribuídas a aquecimento provocado por atividade ígnea, esquecidos que indícios e exsudações de gás ocorrem também em áreas em que estes eventos não estão presentes.
Levando-se em consideração que: a) o último poço nela perfurado foi executado há mais de 30 anos, sem a utilização dos avanços obtidos com a obtenção de dados sísmicos melhores e b) estar situada numa área de fácil acesso e de mercado carente, o retorno à sua exploração é altamente recomendável (este texto foi escrito antes que fosse feita a descoberta de gás na bacia -tal resultado mostra que o otimismo às vezes está correto).
6) PARANÁ (1 milhão km2) – Os inúmeros indícios de óleo e de gás presentes na bacia já seriam indicativos da sua prospectividade. A introdução de novos conceitos, como a reavaliação do potencial de geração da Fm. Irati (Permiano), da Fm. Ponta Grossa (Devoniano), mesmo nas áreas rasas, poderia resultar em descobertas.
7) TAPAJÓS E PANTANAL – O desconhecimento da primeira é tão grande que não sabemos quais sedimentos preenchem a grande feição negativa existente, pois, nela, não existem afloramentos e nenhum poço foi perfurado. No Pantanal, embora alguns trabalhos já tenham sido executados, existe ainda a possibilidade de que sedimentos paleozóicos, produtores na vizinha Bolívia estejam presentes no território brasileiro, repetindo o observado na Bacia de Madre de Dios.
P. S. - REFLEXÃO NECESSÁRIA
P. S. - REFLEXÃO NECESSÁRIA
Levorsen, talvez o maior dos geólogos de petróleo já aparecido dizia:
“We are too often thinking in too small terms. By far the greatest part our efforts is in searching for deeper sands, and in working and reworking progressively smaller and smaller areas within the developed provinces; in discoveries of millions of barrels, when we should be thinking in terms of billions of barrels; in acres of new production when we should be thinking in square smiles. …It means that we must think in terms of big geology so that we may be assured of big results - Levorsen, A.I. – in Discovery Thinking –1943.
O Brasil, principalmente o seu território paleozóico, é um dos raros lugares do mundo onde a teoria do Levorsen pode ser aplicada. Descobrir campos gigantes é muito mais lucrativo do que insistir na procura de pequenos campos ou de lucrar com IPOS sem base geológica consistente.
E o fundamental é o de conhecer as características geológicas das bacias para que se possa pensar grande, e este primeiro passo será o assunto do próximo poster.
Continuo aguardando as críticas que me permitam balisar as minhas conjecturas.
E o fundamental é o de conhecer as características geológicas das bacias para que se possa pensar grande, e este primeiro passo será o assunto do próximo poster.
Continuo aguardando as críticas que me permitam balisar as minhas conjecturas.






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