segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O POTENCIAL PETROLÍFERO BRASILEIRO - PARTE IIA

A EXPLORAÇÃO DO PALEOZÓICO BRASILEIRO - PASSADO

As bacias paleozóicas brasileiras apresentam todas as condições favoráveis à presença de acumulações. Nelas estão presentes folhelhos, extensos arenitos, capeadores, estruturação, indícios de HC etc. Falta uma abordagem adequada calcada em idéias alternativas. Repetir o que foi feito dificilmente dará certo.
Mas não seria apenas no aspecto puramente financeiro o significado de descoberta de petróleo nestes sedimentos. Além de outras pode-se ressaltar duas vantagens para o país caso a sua exploração fosse incrementada:
1) As possibilidade petrolíferas do paleozóico estão presentes em quase todos estados brasileiros. Do Rio Grande do Sul ao Matogrosso do Sul e São Paulo na bacia do Paraná. Do Piauí ao Acre na região Norte, passando pelos estados do Maranhão, Tocantins, Pará, Amazonas, Acre e Mato onde existe a necessidade de criação de polos econômicos podem ajudar na diminuição das diferenças regionais.
2) As bacias paleozóicas estão todas situadas em terra. Isto lhe dá algumas vantagens como a diminuição dos custos, a maior proteção ao ambiente do que as acumulações no mar, principalmente as de águas profundas (os ambientalistas deveriam levar isto em consideração).

É dito que a criatividade nasce da observação do problema e nos enganos ou espaços não explorados para que se entenda a razão do insucesso. Nas bacias paleozóicas brasileiras é preciso analisar o histórico da sua exploração e o que se pode observar é a utilização de falsos conceitos na condução da exploração. Darwin já dizia que “ignorância traz mais certezas que o conhecimento”. Tais falsos conceitos criaram certezas de que o Paleozóico brasileiro não tinha possibilidade petrolífera. Preconceitos que necessitam ser revistos com o melhor entendimento das nossas bacias paleozóicas, enormes em tamanho, pobres em esforços exploratórios.

O primeiro poço para petróleo no Brasil foi perfurado na bacia paleozóica do Paraná, na localidade de Bofete, no estado de São Paulo, em 1892, resultando na produção de uma pequena quantidade de óleo, nada que o classificasse como uma descoberta comercial. Mais de 100 anos e o Paleozóico brasileiro, que abrange um território superior a 3 milhões de km2, continua sem as grandes descobertas.
Internacionalmente, Paleozóico mostra-se altamente prolífico nas bacias em que a sua parte inferior está presente. Norte da África, bacias russas como a do Volga-Ural, bacias caspianas, bacias sub-andinas, no Texas o complexo de Panhandle, novas descobertas relacionadas ao Siluriano estão acontecendo na Arábia Saudita, são províncias produtoras nas quais o Siluriano e o Devoniano são responsáveis pelas acumulações. Todos estes exemplos com grandes reservas, armazenadas em campos supergigantes em que bilhões de barris estão armazenados. 

As razões para tal produtividade estão na presença de uma sedimentação, durante o paleozóico inferior, em ambiente redutor (o teor de oxigênio na atmosfera era de cerca de 10% do atual), com vida abundante. Por outro lado desenvolviam-se extensos pacotes arenosos, com cobertura de rochas selantes, e as movimentações tectônicas permitiram a presença de estruturas de grande porte.
 





O importante é que os sedimentos do Paleozóico Inferior estão presentes em todas as bacias paleozóicas brasileiras com as mesmas características das bacias internacionais produtoras. Folhelhos negros, arenitos espessos e extensivos, movimentação tectônica, indícios de HC etc. seriam suficientes para que aqui houvesse a presença de bons campos de petróleo nestas bacias e, para justificar tal ausência só existiria uma resposta: a procura do petróleo não teria sido a mais adequada. E para julgar se a abordagem executada foi ou não a que devia ser utilizada é necessário recorrer a história da exploração para petróleo no Brasil, especialmente para o Paleozóico.

A EXPLORAÇÃO DO PALEOZÓICO BRASILEIRO
A exploração para o Paleozóico no Brasil, desde o seu início, foi marcada pelo uso de falsos conceitos que, por sua vez associados a outros, levaram a uma abordagem inadequada, dando origem a uma série de insucessos que desacreditaram o potencial de um território maior do que toda uma Europa Ocidental.
O primeiro falso paradigma aconteceu logo no início do século passado. Charles White, um brilhante geólogo americano, com a perfuração de um poço negou a possibilidade petrolífera da bacia do Paraná devido á atividade vulcânica. Tal diagnóstico poderia ser estendido às demais bacias paleozóicas, todas com intensa atividade vulcânica. Muito embora o pessimismo do Mr. White não tenha vigorado por muito tempo a presença da atividade ígnea nas bacias paleozóicas teve, ou tem ainda, grande influência na exploração paleozóica.
O entendimento da importância do vulcanismo na prospectividades das bacias intracratônicas é assunto que merece um debate mais aprofundado
O uso de sondas ainda a percussão e o pouco capital a ser investido levou à concentração da exploração por poços rasos. A presença de água doce em alguns destes poços levou ao que seria, talvez, o maior falso paradigma com enormes implicações exploratórias: que a presença de água doce significava a impossibilidade de acumulação petrolífera. A alternativa era caminhar para o profundo.
A sequência paleozóica das bacias intracratônicas é marcada por períodos de aprofundamento e preenchimento com a presença de algumas discordâncias. Nas partes mais altas ocorriam erosões que modificavam a salinidade das águas dos reservatórios. Água doce se relacionava a altos estruturais. Abandonar o raso era procurar petróleo nos baixos estruturais.
Poços profundos exigiam sondas mais pesadas que só podiam perfurar nos vales dos rios (baixos estruturais) ou em estradas construídas ao longo de vales. Assim abandonavam-se as partes rasas e concentrava-se a pesquisa nos depocentros das bacias e com isto instalava-se toda uma abordagem exploratória cujos resultados não deveriam ser os melhores possíveis.
O profundo significava também a presença maior de vulcânicas. Com isto os métodos geofísicos da época não respondiam. Os poços não investigavam as sequências mais antigas onde se concentravam geradores e arenitos extensivos.
Criada a Petrobrás, sob a administração de Link, deu-se ênfase à exploração do Paleozóico, mas os resultados eram negativos. Avaliações eram feitas negando potencial para estas bacias. Logo em seguida acontece o sucesso na plataforma marítima. O Paleozóico deixava de ser de interesse maior.
O insucesso alimentava justificativas as mais absurdas como a de as bacias paleozóicas serem pratos rasos sem estruturas, ao mesmo tempo colunas estratigráficas colocavam diversas e proeminentes discordâncias entre os sedimentos.
As falsas concepções preenchiam as desculpas para os insucessos: as reservas paleozóicas internacionais não eram importantes; os reservatórios eram fechados etc. Teorias esdrúxulas, sem suporte nos dados, eram, e continuam sendo, jogados como verdades indiscutíveis. Falhas lístricas (mesmo com a ausência de deslizamento gravitacional). Presença de uma tectônica rift como formadora das bacias intracratônicas, contrariando a teoria, ainda aceita, das correntes de convecção e a evidência de contemporaneidade entre intracratônicas e rifteamento nas bacias mais jovens.
Enxame de falhas strike slip sem a presença nos afloramentos das bacias. Consideração como flower structures falhamentos que poderiam ser resultantes da tectônica típica das bacias intracratônicas (importante feição na exploração destas bacias que será posteriormente discutida).
As linhas sísmicas eram processadas utilizando as escalas usadas para as bacias rift e costeiras, inadequadas para as altas velocidades encontradas nos estratos paleozóicos, isto provocava que fosse comum considerar que o Paleozóico inferior fosse o embasamento cristalino. A mudança na escala veio a mostrar que ele estava presente e até mostrou uma bacia antes ignorada no país – Madre de Dios.

Diversas outras teorias sem consistência poderiam ser relacionadas, porém, a de maior prejuízo à exploração das bacias paleozóicas foram as análises geoquímicas.
As análises geoquímicas talvez tenha sido golpe decisivo pelo descrédito do potencial do paleozóico brasileiro. Pelas análises as partes rasas, principalmente onde a atividade vulcânica estivesse ausente ou pouco expressiva, eram consideradas imaturas, assim a exploração deveria procurar as partes profundas onde haveria maturação. Diversos eram os falsos conceitos para as análises do paleozóico entre eles a utilização de refletância de vitrinita quando, no paleozóico inferior não havia a presença de material lenhítico, a não ser raras ocorrências. Outros enganos eram cometidos resultando em surpresas não previstas pelas análises como a presença de gás e óleo na bacia do Solimões, ou de gás na bacia do Parnaíba.



Na realidade, a maior prova de geração é a presença de HC. Os poços com indícios, folhelhos betuminosos e seeps encontrados são provas mais do que suficientes da geração de petróleo e isto não pode ser ignorado por uma interpretação geoquímica sujeita a erros.
O acumulo de insucessos e a descoberta de petróleo no mar levou ao quase abandono da pesquisa nas bacias paleozóicas. Logo houve a tentativa de fechar os distritos que cuidavam da sua exploração. A bacia do Paraná era abandonada. As do norte continuaram, porém, com esforços sensivelmente diminuídos.



O passado na exploração do paleozóico brasileiro seria suficiente para explicar o fraco desempenho nas descobertas. O presente não trouxe grandes modificações. As idéias herdades do passado continuam a ser vigentes na exploração atual. Os blocos oferecidos nas bacias paleozóicas pela ANP se restringem a procurar geração nas partes profundas das bacias. Continuamos sob a égide de um monopólio, não mais o da empresa Petrobrás, mas dos mesmos preconceitos que dominaram a exploração brasileira.
Introduzindo novas idéias, revendo os falsos conceitos utilizados, podemos analisar a geologia de cada bacia paleozóica estimando o que cada uma poderia contribuir para o país.
1)    BACIA DO ACRE (500 mil km2) – a bacia do Acre é a continuação em território brasileiro da Bacia de Ucayalli, do Peru, onde a importância do Paleozóico está cada vez mais evidente com várias descobertas a ele relacionadas.  Situada “up-dip” desta importante bacia, nela são observadas diversas situações em que reservas de grande porte poderiam acontecer.
2)    MADRE DE DIOS – Esta bacia era até pouco desconhecida no território brasileiro. Uma revisão dos dados sísmicos comprovou a presença de sedimentos paleozóicos que, no Peru e na Bolívia, já se mostraram produtores de petróleo nas proximidades da fronteira brasileira. Como nenhum poço foi nela perfurado, fica impossível saber se a coluna presente no Brasil apresenta sedimentos favoráveis. Um ou dois poços estratigráficos são, então, necessários. Comprovada a sua existência o potencial petrolífero poderá ser mais bem avaliado.
3)    SOLIMÕES (600 mil km2)– A pesquisa em paleoaltos paleozóicos muito provavelmente significará a descobertas de petróleo líquido. SUB-BACIA DE JATURNAÍBA – Nesta imensa área, continuação da bacia do Solimões, já foram perfurados poços com gás. O retorno à bacia poderia significar uma importância similar, ou até maior, à da Bacia do Solimões. Mudança na abordagem exploratória poderia resultar na descoberta de reservas consideráveis de óleo.
4)    AMAZONAS (500 mil km2) - Talvez a bacia paleozóica brasileira com melhores características para a presença de petróleo. Torna-se necessária, entretanto, uma abordagem específica para as suas características exploratórias.
5)    PARNAÍBA (600 mil km2) – Com uma área superior a de qualquer país da Europa Ocidental, na Bacia do Parnaíba foram perfurados apenas 34 poços, muitos deles estratigráficos ou perfurados sem controle geológico adequado. Apesar de exibir diversos indícios de óleo e gás, inclusive em testes de formação, a interpretação geoquímica a considera sem qualidades para a geração de petróleo. As ocorrências petrolíferas são atribuídas a aquecimento provocado por atividade ígnea, esquecidos que indícios e exsudações de gás ocorrem também em áreas em que estes eventos não estão presentes.
Levando-se em consideração que: a) o último poço nela perfurado foi executado há mais de 30 anos, sem a utilização dos avanços obtidos com a obtenção de dados sísmicos melhores e b) estar situada numa área de fácil acesso e de mercado carente, o retorno à sua exploração é altamente recomendável (este texto foi escrito antes que fosse feita a descoberta de gás na bacia -tal resultado mostra que o otimismo às vezes está correto).
6)    PARANÁ (1 milhão km2) – Os inúmeros indícios de óleo e de gás presentes na bacia já seriam indicativos da sua prospectividade. A introdução de novos conceitos, como a reavaliação do potencial de geração da Fm. Irati (Permiano), da Fm. Ponta Grossa (Devoniano), mesmo nas áreas rasas, poderia resultar em descobertas.
7)    TAPAJÓS E PANTANAL – O desconhecimento da primeira é tão grande que não sabemos quais sedimentos preenchem a grande feição negativa existente, pois, nela, não existem afloramentos e nenhum poço foi perfurado. No Pantanal, embora alguns trabalhos já tenham sido executados, existe ainda a possibilidade de que sedimentos paleozóicos, produtores na vizinha Bolívia estejam presentes no território brasileiro, repetindo o observado na Bacia de Madre de Dios.


P. S. - REFLEXÃO NECESSÁRIA

Levorsen, talvez o maior dos geólogos de petróleo já aparecido dizia:
“We are too often thinking in too small terms. By far the greatest part our efforts is in searching for deeper sands, and in working and reworking progressively smaller and smaller areas within the developed provinces; in discoveries of millions of barrels, when we should be thinking in terms of billions of barrels; in acres of new production when we should be thinking in square smiles. …It means that we must think in terms of big geology so that we may be assured of big results - Levorsen, A.I. – in Discovery Thinking –1943.
O Brasil, principalmente o seu território paleozóico, é um dos raros lugares do mundo onde a teoria do Levorsen pode ser aplicada. Descobrir campos gigantes é muito mais lucrativo do que insistir na procura de pequenos campos ou de lucrar com IPOS sem base geológica consistente.
E o fundamental é o de conhecer as características geológicas das bacias para que se possa pensar grande, e este primeiro passo será o assunto do próximo poster.
Continuo aguardando as críticas que me permitam balisar as minhas conjecturas.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O POTENCIAL PETROLÍFERO BRASILEIRO - PARTE 1


BRASIL – O PAÍS COM O MAIOR POTENCIAL PETROLÍFERO PARA SER EXPLORADO.
  
É quase regra geral o fato de uma empresa que domine o conhecimento sobre a exploração de uma bacia insista nos seus modelos, deixando de observar outras oportunidades.
 A história da exploração para petróleo está cheia de exemplos de empresas líderes no conhecimento de uma bacia ou de um tipo de acumulação prolífico, mas que se mostraram incapazes de obter sucesso fora da sua experiência.
No Oriente Médio a Persian Gulf desprezando o território árabe do Golf Pérsico. A Standard Oil e a Shell, dominando as acumulações estruturais da bacia de Sirte, na Líbia, deixaram de ver as acumulações estratigráficas descobertas pela Occidental.
Os exemplos são inúmeros e o sucesso no diferente só é feito por novos participantes, concorrentes na exploração e um dos exemplos marcantes foi o sucesso da Petrobrás Internacional no Iraque quando procurou petróleo em carbonatos, reservatórios não explorados pelos outros. O resultado foi a descoberta do segundo maior campo do mundo: Majnoon/Nahr Umr.
O Brasil,  num espetacular salto de competência dominou e liderou a exploração e produção em águas profundas. Entretanto, deixou de ver alternativas em outras fronteiras exploratórias.
O perfil de crescimento de reservas brasileiras é de juventude exploratória cujo ápice ainda não foi atingido. Sendo assim, as atuais reservas provadas podem ser pelo menos dobradas com as novas descobertas em fase de delimitação. Pelo menos outros quinze bilhões já poderiam ser adicionados com novas descobertas.

Por outro lado pode-se ver que tais reservas estão concentradas nas bacias marítimas, principalmente nas do sudeste do país e quase todas em águas profundas. No entanto tais bacias perfazem uma pequena proporção do território sedimentar nacional.


A disparidade entre as bacias intracratônicas e as drift, principalmente, está relacionada nas diferenças geológicas dos estilos tectônicos que exigem abordagens exploratórias específicas utilizando um conhecimento apropriado para as suas características.


A simples observação das seções geológicas das principais bacias brasileiras pode-se ver que elas são bastante distintas. A estruturação de deslizamento presente na bacia de Campos mostra-se ausente nas bacias intracratônicas onde a estruturação se dá através de movimentação do embasamento.
Tal diferença tem implicações fundamentais para exploração: migração; geração, estruturação, reservatórios; tipo de trapas etc. são distintos o que implica na utilização de abordagens próprias, o que não tem sido  levado em consideração, prejudicando os resultados obtidos
.
O entendimento das características geológicas de cada tipo de bacia é fundamental para a obtenção de sucesso exploratório. Uma interpretação geológica alternativa correta e adequada a cada estilo tectônico, que se enquadre ao habitat do petróleo existente nas províncias petrolíferas similares, poderia resultar em excelentes descobertas.
Calcado em interpretações geológicas distintas das tradicionais é possível prever-se, conservadoramente, um potencial brsileiro da ordem de 40 bilhões de barris presentes tanto em terra como em águas rasas, que, somados aos encontrados em águas profundas, colocaria o Brasil como um dos maiores produtores mundiais. A possibilidade de 100 bilhões de barris mão é um sonho impossível de ser atingido.
Utilizando interpretações geológicas alternativas das bacias paleozóicas pode-se ver que existem possíveis leads que as tornariam tão prolíficas como, por exemplo, as argelinas (uma acumulação similar à Hassi Messaoud  não seria difícil de existir). Nas bacias costeiras, em águas rasas, prospectos da ordem de um Prudhoe Bay são admissíveis. E nas bacias rift outros Campos de Candeias podem estar presentes.
 
Naturalmente que muitos não aceitariam tal otimismo, o mesmo fizeram os geólogos que não admitiam possibilidades na margem oeste do Golfo Pérsico (a Arábia Saudita não seria a primeira do mundo).
Spindletop não colocaria o Texas no Mapa do petróleo. Os geólogos da Sorbone  teriam que beber o petróleo da Argélia sahariana conforme prometido. Os exemplos de negação desmentidos são inúmeros: no Brasil todas as nossas bacias produtoras foram consideradas sem interesse. Sem dúvida na história da exploração para petróleo a máxima de Darwin é perfeita: "A IGNORÂNCIA traz muito mais CERTEZAS que o CONHECIMENTO"


O que leva o autor a colocar tais idéias subversivas é de propor uma alternativa econômica para o país.Encontrar petróleo nos estados do norte sem dúvida diminuiria o desnível para com os do mais ricos do sul. 
A participação do Estado brasileiro, através dos royalties, imposto de renda, geração de empregos etc. daria condições financeiras para melhorar a educação, a segurança, a saúde, melhores estradas (quem sabe até um trem bala ligando o Oiapoque ao Chui) etc. O sonho deixa de ser algo inatingível quando existem possibilidades reais que o torne factível. 
O que nos propomos a seguir é a de debater as idéias exploratórias com a  demonstração de novas concepções de custo exploratório baixo, baixos riscos e prêmios elevados, bom para os investidores - melhor para o país.

Pessoalmente o autor teve os seus maiores enganos quando das suas análises pessimista. Castigado com a mudança de área de interpretação para a Bacia de Campos, levou em consideração os relatórios que a classificavam como sem interesse, a pior de todas as bacias marítimas brasileiras, não aceitando a missão. Havia mais certeza que conhecimento.
Na Braspetro considerou a bacia de Murzuk, na Líbia, como sem interesse baseado nos mesmos conceitos geológicos que eram aplicados no Brasil. Havia também mais certeza do que conhecimento.
 Outros enganos foram cometidos e os erros ensinam mais que o sucesso.
Por outro lado, obteve uma carreira com alguns sucessos , sempre contrariando as interpretações vigentes dos que tinham suas certezas cristalizadas.

No exterior identificou a presença de um trend carbonático de alta energia como o principal objetivo para a estrutura de Majnoon (objetivo antes rejeitado e que  veio a se mostrar presente). Também no Iraque propôs a perfuração de um quarto poço na estrutura de Nahr Umr, o resultado se mostrou positivo e mostrou que Nahr Umr e Majnoon faziam parte da mesma acumulação cuja reserva a coloca como a segunda maior do mundo. 
Sucessos no Brasil com o potencial dos diápiros de folhelho e com  aceitação da presença de discordância na bacia do Recôncavo. Tais interpretrações foram altamente questionadas pelas concepções pré-existentes. Algumas acumulaçoes foram encontradas nos diápiros, nas associadas a discordâncias estão ainda por serem procuradas.

O seu livro “PETRÓLEO – HISTÓRIA DAS DESCOBERTAS E O POTENCIAL BRASILEIRO” foi considerado como uma peça de otimismo delirante. Entretanto, as previsões lá colocadas vêm se mostrando reais.
Este bate-papo terá continuidade nos posters seguintes quando serão detalhados cada tipo de bacia e suas possibilidades petrolíferas através da utilização de alternativas exploratórias, iniciando com as bacias paleozóicas. 
Debates, opiniões favoráveis ou contrárias, estas últimas muito bem-vindas, etc. dariam fôlego ao autor para continuar a tarefa.